sexta-feira, 10 de maio de 2013

O TELEGRAFO


O TELEGRAFO 

     A ciência e a técnica tem largamente satisfeito o vivo desejo do homem de comunicar-se com seus semelhantes mediante aquela utilíssima instituição de progresso civil que se denomina: “Correios e Telégrafos”. Ela, com o tempo, tem sido melhorada sempre mais, proporcionando uma valiosa contribuição ao crescente e célebre tráfego do comércio e das indústrias. A época remota deve-se o aparecimento dos primeiros sistemas de comunicação adotados pelos povos antigos. 
     Eles consistiam em meios muitos simples: no mar, de ilha em ilha, acendiam-se fogos; na terra, de monte em monte, ardiam tochas; de aldeia em aldeia levantavam-se bandeiras, colunas de fumaça e, das altas torres, faziam-se muitos e variados sinais. Servia-se também de correios, situados em determinadas distâncias, mas o serviço não era muito eficiente, para exprimir e transmitir pensamentos, e o homem, para tanto, devia escogitar um meio que lhe permitisse substituir. Por sinais, a engenhosíssima invenção da escrita. Aumentaram-se, por isso, as tochas e as bandeiras, dispostas em posições e combinações múltiplas. Aquele que, por primeiro, inventou esta linguagem de sinais, pode realmente ser considerado o inventor do telégrafo (do grego: tele – distância e grapho – escrevo). 
     Dentre os primeiros sistemas de telegrafia, devemos recordar um em uso entre os Cartagineses  Ele consistia em dispor, a distância preestabelecida, um do outro, vasos de bronze cilíndricos, de igual capacidade, para que pudessem conter uma idêntica quantidade de água; na parte inferior de cada um era feito um orifício, no qual era aplicada uma torneira igual para todos. Na superfície da água, boiava uma cortiça, tendo, verticalmente, uma haste de madeira, dividida em partes iguais, sobre cada uma das quais estava assinalado um número ou desenho convencional, simbolizando um determinado pensamento. Perto de cada recipiente estava, munido de uma bandeira durante o dia ou de uma tocha durante a noite, um encarregado que, na estação transmissora, assim que era dado o sinal, abria a torneira e deixava sair tanta água quanto era preciso para que a haste descesse e permitisse que se lesse, na orla do recipiente, o determinado sinal. 
     A repetição do sinal anunciava o fim da comunicação. O incumbido da recepção, ao primeiro sinal, também abria a torneira do seu vaso, e a fechava imediatamente, ao segundo sinal. Tais sinais repetiam-se a distâncias iguais, por isso as notícias a eles correspondentes eram, sucessivamente, conhecidas pelos respectivos encarregados. Esse foi o chamado “telégrafo hidráulico”. Nos séculos seguintes, com o progresso dos estudos científicos, vários físicos enfrentaram o problema das comunicações velozes, a distância, adotando meios óticos, e, entre esses, merece uma citação especial Giambattista Della Porta, inventor da câmara escura. Ele refletia raios de luz com sinais convencionais, por meio de espelhos côncavos. Mas o seu método não teve nunca uma aplicação prática.
     Depois da invenção do binóculo, o físico francês Guilherme Amontons (1663 – 1705) propôs colocar, a determinadas distâncias, homens dotados de binóculos, para que os vários sinais convencionais fossem melhor vistos. Cada um deles, depois, devia não só observar atentamente, mas também reproduzir, com fidelidade, os sinais que lhe eram transmitidos pelo seu vizinho; desta maneira, idêntico sinal era sucessivamente repetido por todos os encarregados situados entre os dois pontos extremos. Infelizmente, Amontons desanimava-se facilmente; perdia-se ante qualquer obstáculos e, por isso, seu projeto foi abandonado. 
     Quando, nos séculos seguintes, a eletrostática estava em pleno apogeu, os físicos delas se aproveitaram para transmitir, com a máxima presteza, qualquer notícia mesmo a grandes distâncias. O escocês Carlos Marshall, pela metade do século XVIII, pensando na propriedade que possui um fio metálico de conduzir rapidamente a eletricidade, amadureceu a idéia de empregar tantos fios metálicos, completamente isolados, quantas são as letras do alfabeto; e fixou até, junto à extremidade livre de cada fio, um pêndulo elétrico, com uma letra do alfabeto. As extremidades opostas desses fios, que traziam a mesma letra, estavam em comunicação direta com um aparelho eletrostático. É claro que, eletrizando, por exemplo, o fio com a letra S, o pêndulo correspondente, também se eletrizando, oscilava, indicando, assim, com exatidão, a devida recepção. 
     Esta idéia foi posta em prática, em 1754, pelo físico genebrino Luís Lesage, mas, como o isolamento dos fios não era sempre completamente eficaz, o método foi abandonado, e novamente se recorreu à ótica, para resolver o problema. Após longas tentativas, o francês Cláudio Chappe construiu, em 1792, o primeiro telegrafo de sinais e binóculos. Sobre cada uma delas, estava içada uma longa haste vertical, com três braços laterais, que giravam de modo a poder dispor-se horizontalmente, ou voltadas para o alto ou para baixo. As várias posições dos braços eram, oportunamente, manobradas por meio de carretilhas e cordas. 
     A primeira linha funcionou, com resultado satisfatório, em 1794, entre Paris e Lile. A telegrafia ótica, nascida assim sob felizes auspícios, difundiu-se, bem depressa, por toda a França e pelo exterior, todavia, nem ela escapou dos imprevistos retardamentos e dos inconvenientes devidos aos fenômenos meteorológicos  especialmente da neblina.
      O aparelho foi aperfeiçoado pelos alemães Gauss e Weber; o professor Steinhel, depois, acrescentou, até na ponta das agulhas, uma ligeira ponta cheia de tinta que, deslizando sobre uma tira de papel que, levada pelo movimento de um mecanismo do relógio, traçava pontos e sinais convencionais. A telegrafia avançava sempre e mais clara e segura. Steinhel não deve ser esquecido também devido a outra importante inovação: a ele cabe o mérito de ter abolido o fio de retorno, explorando a ótima condutibilidade da terra. Assim, construíram-se os telégrafos com um único fio em lugar de dois, que antes, eram indispensável. 
     A seguir, conseguiu-se simplificar as instalações, usando somente três galvanômetros para todas as letras do alfabeto. Para tal objetivo, eram empregadas correntes fracas, médias e fortes, que produziam desvios com amplitudes variáveis de cada agulha. Mais tarde, o emprego da magnetização temporária do ferro doce e a conseqüente invenção do eletroímã, que atrai e deixa em liberdades a própria âncora, inspirou o americano Samuel Morse. Durante a travessia do oceano que o conduzia de volta da Europa para a América, teve a idéia de aplicar, na telegrafia, o princípio de atração da âncora aos pólos do eletroímã. 
     Quando terminou a viagem, Samuel Morse dirigiu-se ao comandante do navio e disse-lhe: “Capitão, quando o mundo inteiro admirar meu telegrafo, não se esqueça de que eu o inventei aqui, a bordo do Sully, em 13 de outubro de 1832”. O fato, realmente, verificou-se porque, após muitas peripécias e obstáculos, em 1844, inaugurava-se, com explêndido êxito, a primeira linha telegráfica dos Estados Unidos, entre Washington e Beltimore. As partes principais do telegrafo Morse são: 
_ O aparelho transmissor, constituído de um interruptor, por meio do qual, baixando-se uma tecla, pode-se fechar o circuito da corrente. 
_ O aparelho receptor, constituído de um eletroímã, cujo enrolamento é percorrido pela corrente elétrica, e de uma alavanca, que traz, numa das extremidades, uma âncora, situada diante do núcleo do ímã, e na outra extremidade, uma ponta, sob a qual corre uma tira de papel envolta num cilindro. 
_ Uma bateria de pilhas para fornecer a corrente. 
 _ O fio da linha sustentando por postes telegráficos, nos quais está fixado, por meio de isoladores de porcelana ou de vidro. 
     Para transmitir um telegrama, aperta-se a tecla do transmissor: a corrente do circuito passa através do fio do eletroímã do receptor, que se magnetiza, atrai a âncora e aproxima a ponta da alavanca da fita de papel que corre debaixo dela. Esta ponta, premindo sobre o papel, assinala um ponto, se o contato do transmissor é instantâneo, e uma linha, se o contato é prolongado. Por meio de pontos e linhas, pode-se formar um alfabeto convencional. 
     Constatou-se também que como fio de retorno da corrente, pode servir, simplesmente, a terra. Em tal caso, uma das extremidades do fio termina, em cada uma das duas estações, como uma chapa metálica, que é enterrada em lugar úmido. Outro inventor, Eduardo Hughes, douto físico da Universidade de Nova York, e também habilíssimo mecânico, em seu novo telégrafo, substituiu ao alfabeto convencional, diretamente, os caracteres tipográficos ordinários, de modo a evitar a dupla tradução para a compilação do recado.

     Graças a esta vantagem, o telégrafo Hughes, desde 1861, foi adotado pelo Governo Italiano, e seu sucesso induziu outros países da Europa e adotá-lo. O lado anterior da mesa é ocupado por um teclado semelhante ao de um piano, constituindo o manipulador do aparelho; as teclas são vinte e oito, alternadamente, brancas e negras. Sobre a mesma mesa, é constituído um castelo de metal, que sustém um sistema e várias rodas e carretéis denteados, que imprimem um movimento rotatório contínuo e uniforme aos diversos empenhos. 
     O físico inglês Wheatstone, construía um novo tipo de telégrafo de agulhas que, depois, aperfeiçoava, transformando-o em telégrafo eletromagnético, no qual, um único fio transmite a corrente elétrica de uma a outra estação e guia uma agulha, que corre sobre um quadrante, em cujo contorno estão assinaladas as letras do alfabeto. A parada do indicador aponta, precisamente, a letra que se deseja transmitir. A constância e o estudo incessante de tantos voluntariosos conduziram à telegrafia submarina. 
     As moderníssimas e velozes telescreventes assinalam um passo seguro nas telecomunicações, mas a mais fúlgida vitória cabe ao telégrafo sem fio, glória de Marconi, mediante o qual a palavra do homem, sem fio algum, pode levar o socorro a qual a palavra do homem, sem fio algum, pode levar o socorro a qualquer parte. Em 1880, com a invenção da pilha voltaica, a telegrafia ótica foi definitivamente abandonada e substituída pela telegrafia elétrica. 
     O primeiro a empregar a corrente das pilhas voltaicas foi, nos primeiros anos do século XIX, o cientista alemão Sömmering, que utilizou um fio condutor para cada letra do alfabeto. Na estação de partida, as extremidades dos fios mergulhavam numa pequena bacia de água acidulada, e se desenvolviam, assim, as conhecidas pequenas bolhas gasosas de hidrogênio e de oxigênio. Tal sistema, porém, apresentava-se muito complexo e inadequado a linhas telegráficas muitos extensas. 
     Mais tarde, o físico dinamarquês Oersted descobriu que uma agulha magnética desvia-se da direção normal nas proximidades de um condutor percorrido por corrente, e os cientistas exploraram tal fenômeno para aplicá-los logo na telegrafia. O grande Ampère substituiu o recipiente de água acidulada (onde terminavam os fios condutores de Sömmering) por outros tantos galvanômetros, cujas rotações de agulhas, nos dois sentidos, davam as indicações de duas letras. 

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